Você olha e não me vê,
me esquece há anos.
Mas seu nome está a salvo comigo.
Você foi embora com pressa
me deixou sozinha com o vento frio.
Mas seu perfume está a salvo comigo.
Naquele dia, eu estava deixando os prédios
para uma reconstrução...
E seu caminho estava a uma esquina do meu.
Mas sua escolha está a salvo comigo.
Pense em mim como páginas do seu diário;
como os pássaros da sua manhã;
como o seu beijo de boa-noite.
Seus pensamentos estão a salvo comigo.
Wednesday, July 22, 2009
Tuesday, June 02, 2009
A Flor
Uma vez, num pântano eu me perdi,
e lá havia uma flor
que morava no frio e no escuro.
Havia uma flor e
somente nela
o carinho sobrevivia durante o inverno.
Pois então coube a ela
curar a tristeza do meu choro
enquanto eu afundava,
enquanto eu chorava,
chorava e procurava terra firme
e o norte do meu vento...
Eu chorava e com essas lágrimas
eu a regava.
Minha amiga cresceu e ficou tão colorida
quanto as borboletas da primavera!
Um dia eu resolvi fugir, porque talvez
se eu corresse até perder o fôlego,
se eu fosse tão veloz quanto a luz,
eu passaria a escuridão
e ela ficaria para trás e desistiria
de me alcançar!
Pisando nas raízes pegajosas eu corria
e caía... eu caía e me machucava tanto,
que se eu parasse, eu doeria até murchar.
Enquanto isso, minha flor ficava segura
e presa ao meu cabelo,
acima do meu ouvido,
me dizia: "Paciência, meu amor."
Hoje ela mora comigo,
no meu jardim quentinho e colorido.
e lá havia uma flor
que morava no frio e no escuro.
Havia uma flor e
somente nela
o carinho sobrevivia durante o inverno.
Pois então coube a ela
curar a tristeza do meu choro
enquanto eu afundava,
enquanto eu chorava,
chorava e procurava terra firme
e o norte do meu vento...
Eu chorava e com essas lágrimas
eu a regava.
Minha amiga cresceu e ficou tão colorida
quanto as borboletas da primavera!
Um dia eu resolvi fugir, porque talvez
se eu corresse até perder o fôlego,
se eu fosse tão veloz quanto a luz,
eu passaria a escuridão
e ela ficaria para trás e desistiria
de me alcançar!
Pisando nas raízes pegajosas eu corria
e caía... eu caía e me machucava tanto,
que se eu parasse, eu doeria até murchar.
Enquanto isso, minha flor ficava segura
e presa ao meu cabelo,
acima do meu ouvido,
me dizia: "Paciência, meu amor."
Hoje ela mora comigo,
no meu jardim quentinho e colorido.
Saturday, March 21, 2009
her 3 little spots
Agora eu conheço ambos: o que você ama e o que despreza.
Entendo como o tédio dos seus dias fazem você superfuncionar
por uma chance, uma saída para uma entrada.
Mas o que espera? Todos esperamos por algo,
todos menos os desesperados. Já esperaram demais.
Eu sei o que é ser um leão e se submeter aos cordeiros.
Presa e excluída da alcatéia por atrasar-se!
Atraso... qual o motivo do seu?
O intelecto? O coração?
Sua falta de percepção quanto ao seu redor?
[...]
Eu queria ser a linha dessa sua corrida.
Nas fotos do seu passado que estão comigo,
queria existir lá dentro... dentro do seu pensamento
dentro da foto, dentro do tempo.
Eu procurei algo novo de você
nos textos que escrevia em apostilas,
na agenda, nas últimas páginas do caderno...
Algo que eu tivesse esquecido,
e relembrar deveria ser suficiente.
Eu não achei.
Parece que te escondi tanto, que me escondi também.
E esqueci de te dizer,
que sim. Que eu gostaria de sair para tomar um café.
Eu nunca esqueci o seu telefone,
e você esqueceu meu nome.
Eu vou fazer você olhar para mim outra vez.
[... and I'll dream about your stars ...]
Entendo como o tédio dos seus dias fazem você superfuncionar
por uma chance, uma saída para uma entrada.
Mas o que espera? Todos esperamos por algo,
todos menos os desesperados. Já esperaram demais.
Eu sei o que é ser um leão e se submeter aos cordeiros.
Presa e excluída da alcatéia por atrasar-se!
Atraso... qual o motivo do seu?
O intelecto? O coração?
Sua falta de percepção quanto ao seu redor?
[...]
Eu queria ser a linha dessa sua corrida.
Nas fotos do seu passado que estão comigo,
queria existir lá dentro... dentro do seu pensamento
dentro da foto, dentro do tempo.
Eu procurei algo novo de você
nos textos que escrevia em apostilas,
na agenda, nas últimas páginas do caderno...
Algo que eu tivesse esquecido,
e relembrar deveria ser suficiente.
Eu não achei.
Parece que te escondi tanto, que me escondi também.
E esqueci de te dizer,
que sim. Que eu gostaria de sair para tomar um café.
Eu nunca esqueci o seu telefone,
e você esqueceu meu nome.
Eu vou fazer você olhar para mim outra vez.
[... and I'll dream about your stars ...]
Monday, March 02, 2009
Wrong Turn
Qual mentira eu ando contando por aí nesses dias de sol?
Sei que quando a chuva chegar serei descoberta.
Uma louca no espelho. E o que eles estiveram vendo?
Eu fugindo de mim.
Me disseram que era impossível escapar a si mesmo,
mas os fiz todos errados!
Se me engano, me responda aonde estou.
Eu não quero nada genérico. Eu quero um mapa detalhado
do caminho de casa, o caminho do meu corpo.
Eu não quero ser esse vazio,
essa mente incolor e insípida,
num corpo sanguíneo.
Escrever me pareceu essencial por um tempo,
provei o oposto. Posso viver sem.
Posso escrever em pensamento. Não preciso de linhas.
E é exatamente por essa falta de linha,
que o meu caos é um buraco negro
para os obstáculos e distrações
contra os meus sonhos.
Se eu fosse um trem, e tivesse um trilho,
então eu teria um destino.
Mas eu ando sozinha, e nem sei por quais ruas.
Sei que quando a chuva chegar serei descoberta.
Uma louca no espelho. E o que eles estiveram vendo?
Eu fugindo de mim.
Me disseram que era impossível escapar a si mesmo,
mas os fiz todos errados!
Se me engano, me responda aonde estou.
Eu não quero nada genérico. Eu quero um mapa detalhado
do caminho de casa, o caminho do meu corpo.
Eu não quero ser esse vazio,
essa mente incolor e insípida,
num corpo sanguíneo.
Escrever me pareceu essencial por um tempo,
provei o oposto. Posso viver sem.
Posso escrever em pensamento. Não preciso de linhas.
E é exatamente por essa falta de linha,
que o meu caos é um buraco negro
para os obstáculos e distrações
contra os meus sonhos.
Se eu fosse um trem, e tivesse um trilho,
então eu teria um destino.
Mas eu ando sozinha, e nem sei por quais ruas.
Monday, February 02, 2009
O Hotel
Eu vivo em um Hotel.
Minha vida é um hotel, e não uma casa.
Eu nunca poderia ser dona de todos esses quartos, muito menos de todas as vidas que passam por aqui, sejam santas, devassas, ou nenhuma - as que dormem.
Eu tenho acesso a todos os quartos. O meu trabalho é arrumá-los. Só que eu não cumpro o meu trabalho. Eu somente desarrumo. Desarrumo para arrumar. Arrumo sem rumo... superficialmente.
Todos os dias eu varro a poeira para debaixo do tapete. Mas o tapete mesmo, eu nunca ousaria movê-lo de lá, muito menos espiar quanta poeira acumulada existe!
Confesso uma curiosidade em sabê-la, mas o medo do tempo acumulado, do tamanho da montanha de dias vividos em círculos, me apavora.
Por que eu não tenho uma casa? Oras, porque se eu tivesse uma casa eu não saberia que cor pintá-la! E outra, o Hotel é enorme; as casas são todas pequenas.
Pra mim teria que ser uma mansão! Porém estas são tão visíveis... eu teria tantos olhares para agradar que ela já não seria minha. Pouco a pouco seria devidamente planejada para ser bonita. E a beleza é o tédio.
Minha vida é um hotel, e não uma casa.
Eu nunca poderia ser dona de todos esses quartos, muito menos de todas as vidas que passam por aqui, sejam santas, devassas, ou nenhuma - as que dormem.
Eu tenho acesso a todos os quartos. O meu trabalho é arrumá-los. Só que eu não cumpro o meu trabalho. Eu somente desarrumo. Desarrumo para arrumar. Arrumo sem rumo... superficialmente.
Todos os dias eu varro a poeira para debaixo do tapete. Mas o tapete mesmo, eu nunca ousaria movê-lo de lá, muito menos espiar quanta poeira acumulada existe!
Confesso uma curiosidade em sabê-la, mas o medo do tempo acumulado, do tamanho da montanha de dias vividos em círculos, me apavora.
Por que eu não tenho uma casa? Oras, porque se eu tivesse uma casa eu não saberia que cor pintá-la! E outra, o Hotel é enorme; as casas são todas pequenas.
Pra mim teria que ser uma mansão! Porém estas são tão visíveis... eu teria tantos olhares para agradar que ela já não seria minha. Pouco a pouco seria devidamente planejada para ser bonita. E a beleza é o tédio.
Friday, January 30, 2009
X
"Isolada do mundo por escolha própria, contraditoriamente, seu maior pavor continuava a ser a solidão."
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