O bloco verde ficou lá,
estático, deitado na mesa fria,
segura a poeira do ar e me espera.
Sempre penso em segurá-los todos pelas asas
e fazer que nunca mais fujam de mim!
Os dias me abandonam mais rápido agora...
Ou talvez seja a mesma velocidade dos outros anos,
e ela cresça em proporção à crença no pensamento.
Estou sentada adiando.
Os passos, o Natal, o destino,
porque é isso que faço.
Rebato o acaso, um por um,
lanço-os a milhas de distância...
Adiei um sonho. É por isso que hoje
estava lá, frustrada, tentando reencontrar
dias que escaparam na fantasia e no pranto.
O tédio arde,
ou, no meu caso, corrói.
Só que já acostumei a esconder os restos.
Gota após gota a esperança vazou,
dia após dia a ilusão se decompôs.
Que isso não soe como uma reclamação;
existem dores muito piores que solidão e tristeza.
Engraçado como anotações e textos
contêm mais conclusões implícitas
do que eu gostaria de perceber...
Como a verdade do caos que me envolve
e sua aparência ordinária no quadro geral.
Chega a ser irritante como posso ouvir
as vozes ignorantes sobre esse tipo de dor
me aconselhando,
caso essa história fosse contada.
Levianas elas afirmam
que eu simplesmente não vivo.
- É mesmo?
Monday, December 22, 2008
Thursday, December 11, 2008
o jardim sintético, as flores inventadas
Apaguei as luzes, saí e fechei a porta,
não olhei para trás, desci as escadas,
ela me perguntou se eu estava preparada.
Mal suporto responder!
Do vazio que amo, do som que não saiu certo,
da vida que se desviou.
Quase um grunhido de bicho assustado!
Mais tarde a advogada me defendeu do meu pânico,
disse que não me reconheceu,
confundiu-me com alguém livre...
De sangue vermelho, veias azul-esverdeadas.
Sem rabiscos de esteróides, riscos de lâminas...
Eu que nas noites desfilo na beira do abismo,
arrasto a barra suja do vestido,
e embalo o coração como a uma bebê,
um dia encontro o amanhecer e logo,
o demônio do meio dia já está aqui.
Quanto ênfase na sabedoria! Nessa procura
de aroma, de cor;
como se fosse uma flor,
como se fosse bela. Se
o espinho da dor inflama, arde,
e me acorda da distração.
As flores me deixam sonhando...
Até mesmo as que brotam da minha dor,
intorpecentes menos do que eu desejaria,
e alguns dias mais...
Desfaz-se e morre.

Fecharam-se os túmulos e recusei-me a olhar,
pensei ser inútil,
que a vida já não estava mais lá.
não olhei para trás, desci as escadas,
ela me perguntou se eu estava preparada.
Mal suporto responder!
Do vazio que amo, do som que não saiu certo,
da vida que se desviou.
Quase um grunhido de bicho assustado!
Mais tarde a advogada me defendeu do meu pânico,
disse que não me reconheceu,
confundiu-me com alguém livre...
De sangue vermelho, veias azul-esverdeadas.
Sem rabiscos de esteróides, riscos de lâminas...
Eu que nas noites desfilo na beira do abismo,
arrasto a barra suja do vestido,
e embalo o coração como a uma bebê,
um dia encontro o amanhecer e logo,
o demônio do meio dia já está aqui.
Quanto ênfase na sabedoria! Nessa procura
de aroma, de cor;
como se fosse uma flor,
como se fosse bela. Se
o espinho da dor inflama, arde,
e me acorda da distração.
As flores me deixam sonhando...
Até mesmo as que brotam da minha dor,
intorpecentes menos do que eu desejaria,
e alguns dias mais...
Desfaz-se e morre.

Fecharam-se os túmulos e recusei-me a olhar,
pensei ser inútil,
que a vida já não estava mais lá.
Wednesday, November 26, 2008
Mirror mirror, let me in..
Espelho,
uma vez que se perde o caminho,
anda-se desesperadamente em busca de
qualquer sinal que nos leve de volta para casa.
Uma vez que se sabe o caminho,
que ele está cravado na memória
aventura-se perigosamente,
afinal, a volta constitui a segurança
de saber... que existe um Lar aqui dentro.
Eu não tenho um lar real,
então minha mente imaginou castelos,
cavaleiros, princesas,
e me deu de presente...
Chamam-no de Esquizofrenia!
Mas como eu posso ser doente quando estou em Casa?
Eu continuo aqui porque posso ficar de olhos abertos
por horas estáticas - sem sentir o horror ao meu redor
do sangue derramado por cegos.
Como posso ser saudável quando
todos
estão fora do meu alcance,
se minhas mãos são de um corpo
mas não são minhas?
Porque o que eu toco desaparece no meu olhar...
Se o que eu sou, está construído
em terras imaginárias
e jamais, jamais pode escapar?
Não há algo como o tempo nesses campos,
alcanço o eterno, que não é infinito...
Espelho,
Quem é essa que se fez tão alta
e tão grande hoje?
Perto de um sentimento...
Tão segura que parecia não se lembrar
que o apetite para o exagero, o drama,
é sua humanidade exposta
pateticamente ao riso.
Espelho, espelho, fale comigo! Me responda!
Me conte o que existe aí atrás,
aonde estamos todas nós?
Onde está a luz de qualquer olhar?
Mostre-me um reflexo feliz,
me diga que ficarei bem,
me leve mais perto de você,
do meu contrário, da minha verdade...
Todos que eu amei,
retorne-os para esse lado!
Ou deixe-me entrar...
uma vez que se perde o caminho,
anda-se desesperadamente em busca de
qualquer sinal que nos leve de volta para casa.
Uma vez que se sabe o caminho,
que ele está cravado na memória
aventura-se perigosamente,
afinal, a volta constitui a segurança
de saber... que existe um Lar aqui dentro.
Eu não tenho um lar real,
então minha mente imaginou castelos,
cavaleiros, princesas,
e me deu de presente...
Chamam-no de Esquizofrenia!
Mas como eu posso ser doente quando estou em Casa?
Eu continuo aqui porque posso ficar de olhos abertos
por horas estáticas - sem sentir o horror ao meu redor
do sangue derramado por cegos.
Como posso ser saudável quando
todos
estão fora do meu alcance,
se minhas mãos são de um corpo
mas não são minhas?
Porque o que eu toco desaparece no meu olhar...
Se o que eu sou, está construído
em terras imaginárias
e jamais, jamais pode escapar?
Não há algo como o tempo nesses campos,
alcanço o eterno, que não é infinito...
Espelho,
Quem é essa que se fez tão alta
e tão grande hoje?
Perto de um sentimento...
Tão segura que parecia não se lembrar
que o apetite para o exagero, o drama,
é sua humanidade exposta
pateticamente ao riso.
Espelho, espelho, fale comigo! Me responda!
Me conte o que existe aí atrás,
aonde estamos todas nós?
Onde está a luz de qualquer olhar?
Mostre-me um reflexo feliz,
me diga que ficarei bem,
me leve mais perto de você,
do meu contrário, da minha verdade...
Todos que eu amei,
retorne-os para esse lado!
Ou deixe-me entrar...
Friday, November 14, 2008
a bird's politeness
Toda essa calma, ou melhor, esse culto a calma,
me agride!
Honestamente, o seu Otimismo
é o instrumento pérfuro-cortante que mais tenho medo,
a lâmina cega que foi mais fundo na minha pele.
A casa ficou pequena, eu fiquei maior.
Os espaços lá fora são cheios de gente nova,
que são todos velhos,
desinteressantes e conhecidos.
Olho pela janela e penso sobre asas que me atordoam.
A mente avança no oceano da alma,
mas são tantas profundezas e tempestades,
que mais seguro seria uma pequena ilha!
De praia ensolarada sorridente e filmada.
E se eu quisesse ser feliz,
quem poderia ousar me condenar
por querer um pouco de paz?
Quero encontrar os que discordam.
Qual o desconhecido que vale a pena rejeitar
por um dia a mais de imagem & som?
Se afinal, existe
toda a paz que a propaganda nos promete...
O que é Vida, é condenado:
a limitar-se ou transcender-se.
Então meu suicídio é curioso,
quer saber como é do outro lado.
me agride!
Honestamente, o seu Otimismo
é o instrumento pérfuro-cortante que mais tenho medo,
a lâmina cega que foi mais fundo na minha pele.
A casa ficou pequena, eu fiquei maior.
Os espaços lá fora são cheios de gente nova,
que são todos velhos,
desinteressantes e conhecidos.
Olho pela janela e penso sobre asas que me atordoam.
A mente avança no oceano da alma,
mas são tantas profundezas e tempestades,
que mais seguro seria uma pequena ilha!
De praia ensolarada sorridente e filmada.
E se eu quisesse ser feliz,
quem poderia ousar me condenar
por querer um pouco de paz?
Quero encontrar os que discordam.
Qual o desconhecido que vale a pena rejeitar
por um dia a mais de imagem & som?
Se afinal, existe
toda a paz que a propaganda nos promete...
O que é Vida, é condenado:
a limitar-se ou transcender-se.
Então meu suicídio é curioso,
quer saber como é do outro lado.
Friday, November 07, 2008
the speed of the wind
Há em mim essa alma infantil,
e todas as melhores menininhas do mundo
parecem me fazer companhia nessas noites assustadoras...
Ah, as noites têm me apavorado! São sombras,
flashes, vozes, culpas e gritos gritos gritos!
Há por aqui toda a luz da inocência,
numa imagem de pequena pureza...
Todas as vezes que estou para baixo,
ela vem me dar a mão,
leva-me para dançar e brincar!
Devo temê-la?
Há em mim essa alma de criança,
que soluça o choro de desentendidos,
escondida atrás da mobília e...
Foi pega! Foge outra vez!
Onde estão seus amigos escondidos?
Onde estão seus irmãos?
Posso me encontrar aqui dentro?
Meu corpo me comprime, é tanta angústia,
nada é suficiente, ou real,
vejo clichês em tudo o que faço,
no que sou... me tornei uma estatística?
O que aconteceu com meu orgulho,
com todas as certezas de originalidade,
todo o amor que parecia me fazer única?
Tudo parece vendido, descartado!
Como o meu pranto de tempo tanto,
jogado fora sem pena, sem pensar,
sem demonstrar qualquer respeito pelo meu coração,
meus atos buscam que verdade?
De facto, pareço estar a desejar uma catástrofe,
para que a sobrevivência torne-me mais clara.
Há falta de clareza, e de claridade
nessa personalidade limítrofe, esquizóide.
Há uma nostalgia da Felicidade que sou,
deslocando-se na velocidade de uma brisa,
de uma aura em movimento,
de tudo o que mora além do meu ego,
e que simplesmente existe, sem mapas.
Uma espécie de tesouro lendário...
"Nós nunca nos rendemos perante o que nos é sagrado. Recomeçamos." (Lars Gustafsson)
e todas as melhores menininhas do mundo
parecem me fazer companhia nessas noites assustadoras...
Ah, as noites têm me apavorado! São sombras,
flashes, vozes, culpas e gritos gritos gritos!
Há por aqui toda a luz da inocência,
numa imagem de pequena pureza...
Todas as vezes que estou para baixo,
ela vem me dar a mão,
leva-me para dançar e brincar!
Devo temê-la?
Há em mim essa alma de criança,
que soluça o choro de desentendidos,
escondida atrás da mobília e...
Foi pega! Foge outra vez!
Onde estão seus amigos escondidos?
Onde estão seus irmãos?
Posso me encontrar aqui dentro?
Meu corpo me comprime, é tanta angústia,
nada é suficiente, ou real,
vejo clichês em tudo o que faço,
no que sou... me tornei uma estatística?
O que aconteceu com meu orgulho,
com todas as certezas de originalidade,
todo o amor que parecia me fazer única?
Tudo parece vendido, descartado!
Como o meu pranto de tempo tanto,
jogado fora sem pena, sem pensar,
sem demonstrar qualquer respeito pelo meu coração,
meus atos buscam que verdade?
De facto, pareço estar a desejar uma catástrofe,
para que a sobrevivência torne-me mais clara.
Há falta de clareza, e de claridade
nessa personalidade limítrofe, esquizóide.
Há uma nostalgia da Felicidade que sou,
deslocando-se na velocidade de uma brisa,
de uma aura em movimento,
de tudo o que mora além do meu ego,
e que simplesmente existe, sem mapas.
Uma espécie de tesouro lendário...
"Nós nunca nos rendemos perante o que nos é sagrado. Recomeçamos." (Lars Gustafsson)
Monday, November 03, 2008
The tireless hope to live the good Life
Respiramos o que resta de respeito
como um homem no leito de morte,
lutando por um pouco de ar.
Lavamos as mãos de nossas religiões
num lago de arrependimento.
E bem longe desse lugar,
aonde não poderão chegar,
outros banham-se em pureza,
em todo o divino que correu por nossas águas,
por nosso sangue derramado.
Anos prolongados de amargura -
morte do pai, do filho, do espírito.
Há uma estrela traidora no céu de noites quentes
brilhando a vontade de lutar,
acima de ilhas de vazio e solidão...
Hoje eu não quero ser o que somos
vivendo nesse mundo de sonhos orgulhosos,
dentro dessa sombra atormentada
hei de destruir: este divino DNA.
Assim rejeitando a salvação...
A fim de preservá-los
encontraremos um caminho diferente,
pois nosso amor é somente uma palavra
num campo de vítimas caídas,
num cemitério de almas escravizadas.
como um homem no leito de morte,
lutando por um pouco de ar.
Lavamos as mãos de nossas religiões
num lago de arrependimento.
E bem longe desse lugar,
aonde não poderão chegar,
outros banham-se em pureza,
em todo o divino que correu por nossas águas,
por nosso sangue derramado.
Anos prolongados de amargura -
morte do pai, do filho, do espírito.
Há uma estrela traidora no céu de noites quentes
brilhando a vontade de lutar,
acima de ilhas de vazio e solidão...
Hoje eu não quero ser o que somos
vivendo nesse mundo de sonhos orgulhosos,
dentro dessa sombra atormentada
hei de destruir: este divino DNA.
Assim rejeitando a salvação...
A fim de preservá-los
encontraremos um caminho diferente,
pois nosso amor é somente uma palavra
num campo de vítimas caídas,
num cemitério de almas escravizadas.
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