Saturday, December 19, 2009

Se sua vida fosse um filme... (SHUFFLE GAME)

~ Créditos de Abertura: What Is Love (Haddaway)
~ Ao acordar: Good Riddance (Green Day)
~ Primeiro dia de aula: Plasticine (Placebo)
~ Infância: Shitlist (L7)
~ Ao se apaixonar: Pink (Aerosmith)
~ Música de Batalha: Circus (Britney Spears)
~ Fim de namoro: The Decadence Of Your Starvation (Skunk Anansie)
~ Formatura: My Humps (Black Eyed Peas)
~ Vida: Paper Bag (Fiona Apple)
~ Faculdade: This Shit Will Fuck You Up (Combichrist)
~ Colegial: Lucy At The Gym (Jill Sobule)
~ Depressão: Crazy For This Girl (Evan And Jaron)
~ Na estrada: Open Your Eyes (Snow Patrol)
~ Flashback: Unpretty (TLC)
~ Reatando namoro: Time After Time (Cyndi Lauper)
~ Casamento: Consequence (The Notwist)
~ Nascimento do filho: You're Beautiful (James Blunt)
~ Batalha Final: Bohemian Rhapsody (Queen)
~ Cena de morte: Pet Semetery (Ramones)
~ Música do Funeral: Autumn's Monologue (From Autumn To Ashes)
~ Créditos Finais: Exagerado (Cazuza)

Saturday, September 26, 2009

não me dê escolha.

Eu tenho raiva dos personagens que interpreto lá fora.
Onde está a verdade dos meus olhos quando se precisa dela?
Onde está a vida que eu vomito quando é válido vivê-la?
Eu estou pedindo muito mais que uma segunda ou terceira chance,
estou pedindo todas as suas chances.
Estou pedindo que você fique comigo
até que eu aprenda, que esteja ao meu lado enquanto
eu mergulho em busca de tesouros para te entregar...
Eu não quero mais do que você pode me dar,
eu não vou te dar mais do que eu tenho.
Mas eu quis que você fosse meu encontro,
eu quis que fosse por você
que eu iria buscar o melhor de mim.

Eu tenho raiva de todas as vezes que eu mal olhei nos seus olhos.

Wednesday, August 26, 2009

take care

O sonho de hoje, será o pesadelo de amanhã.

Sunday, August 02, 2009

betrayal

Eu tenho estado nas nuvens carregadas,
eu tenho me sentido tão laranja quanto os dias
de vento e poeira.
Talvez se um dia eu puder escolher
não voltar para o ontem.
Talvez se um dia eu acordasse
e não houvesse nada para ser consertado...
Você sabe o quanto eu odeio esse lugar,
e sabe que amanhã estarei de volta.
Você sabe o quanto mal tudo isso me faz,
mas sabe que eu estarei de volta.
Estou vivendo rápido,
estou vivendo porque não consigo
parar... parar para pensar.
Eu não consigo sentar e pensar,
sentar e escrever.
Eu consigo chorar, e esse choro termina
rápido e vazio.
Eu consigo rir, e ser menos feliz do que já fui
quando estive chorando.
Vocês chegam e me prometem um sentimento mais igual,
sob a minha pele acredito nas essências,
e vocês me mostram o mundo refletido em olhos.
Então tudo passa, estou traída.
TRAÍDA.
A tempestade se ameaça
e enche meus olhos de lágrimas
doloridas,
de dor e não tristeza,
de vaidade e não de orgulho.
Eu nunca gostei de drogas,
mas nesses tempos,
pills are BFF.
Talvez eu devesse cantar músicas mais alegres,
se o meu corpo não tivesse desistido,
se essa insistência me levasse além
de uma cova tão funda,
cada dia mais longe...
Além de uma pressão solitária de gravidade,
elasticidade...
Eu me deito, me sinto feliz
mas não durmo, e fico revirando lençóis
procurando o lugar mais fresco
quando minha temperatura sobe;
procurando nos túneis dos meus edredons
por fotos dos sonhos condenados pelo tempo
dos sinos que nunca vão soar nesse Templo.
Estou vivendo rápido;
estou traindo a morte...
Estou recolhendo destroçõs
e construindo um Museu.
Um dia, você verá arte em tudo isso,
um dia, vocês farão de mim uma mártir.

Um dia, você vai me trair.

Wednesday, July 22, 2009

you're safe with me

Você olha e não me vê,
me esquece há anos.
Mas seu nome está a salvo comigo.

Você foi embora com pressa
me deixou sozinha com o vento frio.
Mas seu perfume está a salvo comigo.

Naquele dia, eu estava deixando os prédios
para uma reconstrução...
E seu caminho estava a uma esquina do meu.
Mas sua escolha está a salvo comigo.

Pense em mim como páginas do seu diário;
como os pássaros da sua manhã;
como o seu beijo de boa-noite.
Seus pensamentos estão a salvo comigo.

Tuesday, June 02, 2009

A Flor

Uma vez, num pântano eu me perdi,
e lá havia uma flor
que morava no frio e no escuro.
Havia uma flor e
somente nela
o carinho sobrevivia durante o inverno.
Pois então coube a ela
curar a tristeza do meu choro
enquanto eu afundava,
enquanto eu chorava,
chorava e procurava terra firme
e o norte do meu vento...
Eu chorava e com essas lágrimas
eu a regava.
Minha amiga cresceu e ficou tão colorida
quanto as borboletas da primavera!
Um dia eu resolvi fugir, porque talvez
se eu corresse até perder o fôlego,
se eu fosse tão veloz quanto a luz,
eu passaria a escuridão
e ela ficaria para trás e desistiria
de me alcançar!
Pisando nas raízes pegajosas eu corria
e caía... eu caía e me machucava tanto,
que se eu parasse, eu doeria até murchar.
Enquanto isso, minha flor ficava segura
e presa ao meu cabelo,
acima do meu ouvido,
me dizia: "Paciência, meu amor."

Hoje ela mora comigo,
no meu jardim quentinho e colorido.

Saturday, March 21, 2009

her 3 little spots

Agora eu conheço ambos: o que você ama e o que despreza.
Entendo como o tédio dos seus dias fazem você superfuncionar
por uma chance, uma saída para uma entrada.
Mas o que espera? Todos esperamos por algo,
todos menos os desesperados. Já esperaram demais.
Eu sei o que é ser um leão e se submeter aos cordeiros.
Presa e excluída da alcatéia por atrasar-se!
Atraso... qual o motivo do seu?
O intelecto? O coração?
Sua falta de percepção quanto ao seu redor?
[...]
Eu queria ser a linha dessa sua corrida.
Nas fotos do seu passado que estão comigo,
queria existir lá dentro... dentro do seu pensamento
dentro da foto, dentro do tempo.
Eu procurei algo novo de você
nos textos que escrevia em apostilas,
na agenda, nas últimas páginas do caderno...
Algo que eu tivesse esquecido,
e relembrar deveria ser suficiente.
Eu não achei.
Parece que te escondi tanto, que me escondi também.
E esqueci de te dizer,
que sim. Que eu gostaria de sair para tomar um café.
Eu nunca esqueci o seu telefone,
e você esqueceu meu nome.
Eu vou fazer você olhar para mim outra vez.

[... and I'll dream about your stars ...]

Monday, March 02, 2009

Wrong Turn

Qual mentira eu ando contando por aí nesses dias de sol?
Sei que quando a chuva chegar serei descoberta.
Uma louca no espelho. E o que eles estiveram vendo?
Eu fugindo de mim.
Me disseram que era impossível escapar a si mesmo,
mas os fiz todos errados!
Se me engano, me responda aonde estou.
Eu não quero nada genérico. Eu quero um mapa detalhado
do caminho de casa, o caminho do meu corpo.
Eu não quero ser esse vazio,
essa mente incolor e insípida,
num corpo sanguíneo.
Escrever me pareceu essencial por um tempo,
provei o oposto. Posso viver sem.
Posso escrever em pensamento. Não preciso de linhas.
E é exatamente por essa falta de linha,
que o meu caos é um buraco negro
para os obstáculos e distrações
contra os meus sonhos.
Se eu fosse um trem, e tivesse um trilho,
então eu teria um destino.
Mas eu ando sozinha, e nem sei por quais ruas.

Monday, February 02, 2009

O Hotel

Eu vivo em um Hotel.
Minha vida é um hotel, e não uma casa.
Eu nunca poderia ser dona de todos esses quartos, muito menos de todas as vidas que passam por aqui, sejam santas, devassas, ou nenhuma - as que dormem.
Eu tenho acesso a todos os quartos. O meu trabalho é arrumá-los. Só que eu não cumpro o meu trabalho. Eu somente desarrumo. Desarrumo para arrumar. Arrumo sem rumo... superficialmente.
Todos os dias eu varro a poeira para debaixo do tapete. Mas o tapete mesmo, eu nunca ousaria movê-lo de lá, muito menos espiar quanta poeira acumulada existe!
Confesso uma curiosidade em sabê-la, mas o medo do tempo acumulado, do tamanho da montanha de dias vividos em círculos, me apavora.
Por que eu não tenho uma casa? Oras, porque se eu tivesse uma casa eu não saberia que cor pintá-la! E outra, o Hotel é enorme; as casas são todas pequenas.
Pra mim teria que ser uma mansão! Porém estas são tão visíveis... eu teria tantos olhares para agradar que ela já não seria minha. Pouco a pouco seria devidamente planejada para ser bonita. E a beleza é o tédio.

Friday, January 30, 2009

X

"Isolada do mundo por escolha própria, contraditoriamente, seu maior pavor continuava a ser a solidão."

Tuesday, January 20, 2009

Para que não me veja

Quis um pouco mais de privacidade, eu ando aterrorizada quanto a idéia de perder minha independência. É um temor que me deixa petrificada.
Eu estou triste. Há semanas eu ando por aí carregando o peso de não saber nada, sempre enjoada, sempre desejando vomitar minha vida. Não, não estou vomitando, afinal, todas as angústias que já coloquei para fora não me deixaram 1 grama mais leve.
Por anos eu dependi da minha criatividade para viver. Criava mundos, situações, com qualquer coisa que meus olhos pudessem ver eu criava uma história, e me inseria ali, por horas, dias, meses, anos...
Tive sonhos e os perdi. Quis pessoas e não as tive.
Eu quis tudo o que alguém pode querer e mais um pouco...
É que querer, é uma distração, é um sentido. Se você quer algo, você pode afastar seu sofrimento. Criar obsessões e insistir nelas até quando... nunca se sabe até quando.
E foi isso o que aconteceu comigo: a minha mente deixou de criar.
Eu deixei de ser um emaranhado de sonhos, emoções, uma criadora de coisas maiores que a realidade. Eu olhei profundamente e me encontrei! (Ah, como agora eu desejaria ter escapado disso! Se eu pudesse voltar atrás, eu correria dos meus olhos, se eu pudesse eu pediria pra esquecer que eu me encontrei!).

Porque eu encontrei o nada.
Encontrei um infinito branco, vazio e desesperador.
Há manchas de sangue nessa brancura aparentemente pura: sangue de outros que eu derramo, sangue que derramaram de mim, e o sangue das minhas lâminas na solidão, esse sangue que mostrou a vida que existia em mim todas as vezes que me senti morta.
Porque eu tenho tanta vida em mim, tanta vontade de SER e de ESTAR, que eu vivo sufocada por isso. Sei que sou cansativa, são todos esses meus assuntos que discuto, a tristeza, a complexidade, e a falta de explicações... Tudo isso cansa os outros. Cansa os que amam, e os que poderiam me amar.

Saturday, January 10, 2009

feitos em dias intragáveis

É algo com o que eu devo conviver todos os dias.
Não que a vida deva ser desperdiçada
em arrependimentos e memórias,
mas os rastros, os fatos,
não desaparecem no sono da amnésia.
Eu me lembro de uma carta,
há uns 7 anos atrás,
em que eu lhe contei os motivos
do que então eu havia chamado de
'Minha Nova Vida'.
Que mesmo então, já era velha...
Hoje ela está mais para algum tipo de erva daninha,
competindo com todos os bons frutos
que eu desejo tão forte, tão cruelmente,
... eu desejo como o pecado,
como quando criança eu costumava rezar.
E desejar milagres!
Ajoelho e rezo, ajoelho e vomito.
E outros que não me convém expôr.

Estou me procurando,
não não! Não me confunda,
dessa vez não procuro o que perdi,
ah, dessa eu já encontrei algumas partes;
outras admito deixar como perdidas
para sempre.
Talvez alguém ache,
e que sirva pra esse alguém,
e que lhe diga o que fazer...
ou o que não fazer.
Eu, hoje, não ligo. Você que se entenda
com ela, comigo, com a sua imaginação.

Estou me procurando,
um barco nesses olhos,
uma corda, um porto, um farol -
uma informação temporária.
Você vê? TEM-PO-RÁ-RIA.
Numa ligação que está por vir,
nos textos por escrever,
nas pessoas para conhecer e desconhecer.
São as entradas de diário que eu vou apagar.
Que serão queimadas quando eu tiver tempo.
Como eu entendo que são poucos!
Como eu já entendo que se expôr tem preço
CARO, mais caro do que qualquer ostentação material.
Como eu entendo que são poucos
os dispostos a tirar sua mente do caminho,
a desfazer seu método
e atirar no coração da sua crença.

Quem é o pai desse meu desamor pelo mundo?

Saturday, January 03, 2009

The fear of losing my so-called Identity

Chega um tempo
em que temos que crescer
de um jeito ou outro.
Qualquer resistência torna-se inútil...
O que vale a luz após o murchar das rosas?
Sempre grandes planos para outras vidas.
Estou há tempos em cima desse muro,
brinco de decisões dignas de um ditador
e quebro mais promessas que um democrata.
Não é isso que o meu próximo merece,
e nem o que eu mereço.
Eu lutei para ser Perfeita,
lutei para que tudo isso fosse um paraíso,
a minha e a sua vida em sonhos mágicos,
nas cores que eu escolheria a cada manhã,
e ao entardecer...
Eu estive disposta a acolher todos
que mergulhassem curiosos e se perdessem
por ter ido além.
Pois conheço bem as profundezas...
Então me disseram que não era preciso
tão dolorido auto-sacrifício para mostrar-me a Deus,
entregando-lhe meus feitos e arrependimentos
como um presente, especial como a caixinha de madeira...
Confesso ter considerado todos covardes!
Resignados na própria impotência
de serem excelentes...
Olho para os lados, vejo duas cidades,
serei eu agora igual a eles,
ou terá a vida me ensinado
que a tal perfeição é tão efêmera
que já passou?
Você só a vê no segundo durante,
e após vê-la, a primeira atitude é encontrar
um defeito, um motivo, e destruí-la...
Esses foram meus dias. Um trabalho
incoseqüentemente inútil
que pode desintegrar
toda a dignidade e resolução
do mais crítico niilista.
Toda essa divagação, eu posso explicá-la: é a tal
INDECISÃO, o medo de ser pêga implorando
por um pouco mais, ou o medo de ser
surpreendida pelo pouco menos que não,
não faz bela a tragédia.
Estou com uma trilha planejada, e um destino incerto.
Fico aqui e desapareço como uma criança
reclamando de memórias? Ou vôo pelo mundo
desaparecendo como pássaros no inverno?

Quando demasiadamente cedo entendemos o limite tênue
da presença sufocante do valor
ao vazio vertiginoso do desvalor,
mais tarde é preciso voltar ao início, e em seguida ao final,
só então será compreensível o modus operandi do presente,
o tempo deve possuir liberdade suficiente
para ir do passado ao futuro
e refazer o processo: isso vale - isso não vale -
isso vale - e etc.
É a educação da sensibilidade.
E a minha ás vezes pode ser tão rebelde...
Quero tudo e nada - não sou uma burguesa,
não sei ser educadamente ponderada
com o meu instinto ou qualquer coisa.
Gosto da semelhança entre princípios e precipícios...

Saturday, December 27, 2008

Da vida anterior à perca do livre prisioneiro

Durante os primeiros anos de isolamento,
vivi com Luz, Fava e Guerra.
Possuíamos o exército das abelhas
e o parque de diversões da menina contadora de histórias.
Morávamos numa casa colorida, vazia e fechada.
Todo o tempo batiam insistentemente em nossa porta,
mas sentíamos que de todos os trancados lá fora, poucos
pediriam abrigo com sinceridade.
Portanto continuamos sozinhos. Não ousando abusar
da pretensiosa segurança oferecida pela Inestimável.
Ensinaram-me uma arte, um estudo
que nunca soube o nome! Era um exercício
de investigação, de conexões...
Revezávamos em tarefas árduas, brincadeiras como
superação de limites,
treinamento de fuga,
simulação de tortura.
Havíamos dormido juntas naquela noite, Luz e eu.
Fava e Guerra ficaram do outro lado do corredor.
Era Maio, dia 27, um dia frio,
acordei num amanhecer angustiado,
e não havia mais nada!
Nem Luz, nem casa, nem brincadeiras.
Tudo aquilo desaparecera de mim, tendo sido
consumido, talvez por aquele pressentimento
que me envolvera durante a madrugada.
Acordei sentindo a alma asfixiar-se.

Estava de volta à realidade.
O telefone tocou pouco depois das 7:00...
Era um Aviso.
A antecipação do vácuo
que se formaria após as
formolidades...
É desumano o fim do que já foi tão humano.
Urgiu-me utilizar todo o treino em dor que já tivera,
para a contenção das lágrimas,
e para as corridas pela escadaria do silêncio,
cuja descida e subida seria necessária
em inúmeras novas vezes.
Viver em superação perdera um pouco de seus encantos,
tornou-se crua sobrevivência.
Mas um outro mundo eu construiria...

Luz assumiu vários nomes e formas
de presenças diferentes
nos anos que se passaram
após o fim da casa Maior.
Voltaremos a falar mais sobre isso.

Monday, December 22, 2008

Dreams of a ridiculous girl

O bloco verde ficou lá,
estático, deitado na mesa fria,
segura a poeira do ar e me espera.
Sempre penso em segurá-los todos pelas asas
e fazer que nunca mais fujam de mim!
Os dias me abandonam mais rápido agora...
Ou talvez seja a mesma velocidade dos outros anos,
e ela cresça em proporção à crença no pensamento.

Estou sentada adiando.
Os passos, o Natal, o destino,
porque é isso que faço.
Rebato o acaso, um por um,
lanço-os a milhas de distância...
Adiei um sonho. É por isso que hoje
estava lá, frustrada, tentando reencontrar
dias que escaparam na fantasia e no pranto.

O tédio arde,
ou, no meu caso, corrói.
Só que já acostumei a esconder os restos.
Gota após gota a esperança vazou,
dia após dia a ilusão se decompôs.
Que isso não soe como uma reclamação;
existem dores muito piores que solidão e tristeza.

Engraçado como anotações e textos
contêm mais conclusões implícitas
do que eu gostaria de perceber...
Como a verdade do caos que me envolve
e sua aparência ordinária no quadro geral.
Chega a ser irritante como posso ouvir
as vozes ignorantes sobre esse tipo de dor
me aconselhando,
caso essa história fosse contada.
Levianas elas afirmam
que eu simplesmente não vivo.

- É mesmo?

Thursday, December 11, 2008

o jardim sintético, as flores inventadas

Apaguei as luzes, saí e fechei a porta,
não olhei para trás, desci as escadas,
ela me perguntou se eu estava preparada.
Mal suporto responder!
Do vazio que amo, do som que não saiu certo,
da vida que se desviou.
Quase um grunhido de bicho assustado!
Mais tarde a advogada me defendeu do meu pânico,
disse que não me reconheceu,
confundiu-me com alguém livre...
De sangue vermelho, veias azul-esverdeadas.
Sem rabiscos de esteróides, riscos de lâminas...

Eu que nas noites desfilo na beira do abismo,
arrasto a barra suja do vestido,
e embalo o coração como a uma bebê,
um dia encontro o amanhecer e logo,
o demônio do meio dia já está aqui.
Quanto ênfase na sabedoria! Nessa procura
de aroma, de cor;
como se fosse uma flor,
como se fosse bela. Se
o espinho da dor inflama, arde,
e me acorda da distração.
As flores me deixam sonhando...
Até mesmo as que brotam da minha dor,
intorpecentes menos do que eu desejaria,
e alguns dias mais...
Desfaz-se e morre.



Fecharam-se os túmulos e recusei-me a olhar,
pensei ser inútil,
que a vida já não estava mais lá.

Wednesday, November 26, 2008

Mirror mirror, let me in..

Espelho,
uma vez que se perde o caminho,
anda-se desesperadamente em busca de
qualquer sinal que nos leve de volta para casa.
Uma vez que se sabe o caminho,
que ele está cravado na memória
aventura-se perigosamente,
afinal, a volta constitui a segurança
de saber... que existe um Lar aqui dentro.
Eu não tenho um lar real,
então minha mente imaginou castelos,
cavaleiros, princesas,
e me deu de presente...
Chamam-no de Esquizofrenia!
Mas como eu posso ser doente quando estou em Casa?
Eu continuo aqui porque posso ficar de olhos abertos
por horas estáticas - sem sentir o horror ao meu redor
do sangue derramado por cegos.
Como posso ser saudável quando
todos
estão fora do meu alcance,
se minhas mãos são de um corpo
mas não são minhas?
Porque o que eu toco desaparece no meu olhar...
Se o que eu sou, está construído
em terras imaginárias
e jamais, jamais pode escapar?
Não há algo como o tempo nesses campos,
alcanço o eterno, que não é infinito...

Espelho,
Quem é essa que se fez tão alta
e tão grande hoje?
Perto de um sentimento...
Tão segura que parecia não se lembrar
que o apetite para o exagero, o drama,
é sua humanidade exposta
pateticamente ao riso.

Espelho, espelho, fale comigo! Me responda!
Me conte o que existe aí atrás,
aonde estamos todas nós?
Onde está a luz de qualquer olhar?
Mostre-me um reflexo feliz,
me diga que ficarei bem,
me leve mais perto de você,
do meu contrário, da minha verdade...
Todos que eu amei,
retorne-os para esse lado!
Ou deixe-me entrar...

Friday, November 14, 2008

a bird's politeness

Toda essa calma, ou melhor, esse culto a calma,
me agride!
Honestamente, o seu Otimismo
é o instrumento pérfuro-cortante que mais tenho medo,
a lâmina cega que foi mais fundo na minha pele.
A casa ficou pequena, eu fiquei maior.
Os espaços lá fora são cheios de gente nova,
que são todos velhos,
desinteressantes e conhecidos.
Olho pela janela e penso sobre asas que me atordoam.
A mente avança no oceano da alma,
mas são tantas profundezas e tempestades,
que mais seguro seria uma pequena ilha!
De praia ensolarada sorridente e filmada.
E se eu quisesse ser feliz,
quem poderia ousar me condenar
por querer um pouco de paz?
Quero encontrar os que discordam.
Qual o desconhecido que vale a pena rejeitar
por um dia a mais de imagem & som?
Se afinal, existe
toda a paz que a propaganda nos promete...

O que é Vida, é condenado:
a limitar-se ou transcender-se.
Então meu suicídio é curioso,
quer saber como é do outro lado.

Friday, November 07, 2008

the speed of the wind

Há em mim essa alma infantil,
e todas as melhores menininhas do mundo
parecem me fazer companhia nessas noites assustadoras...
Ah, as noites têm me apavorado! São sombras,
flashes, vozes, culpas e gritos gritos gritos!
Há por aqui toda a luz da inocência,
numa imagem de pequena pureza...
Todas as vezes que estou para baixo,
ela vem me dar a mão,
leva-me para dançar e brincar!
Devo temê-la?
Há em mim essa alma de criança,
que soluça o choro de desentendidos,
escondida atrás da mobília e...
Foi pega! Foge outra vez!
Onde estão seus amigos escondidos?
Onde estão seus irmãos?

Posso me encontrar aqui dentro?
Meu corpo me comprime, é tanta angústia,
nada é suficiente, ou real,
vejo clichês em tudo o que faço,
no que sou... me tornei uma estatística?
O que aconteceu com meu orgulho,
com todas as certezas de originalidade,
todo o amor que parecia me fazer única?
Tudo parece vendido, descartado!
Como o meu pranto de tempo tanto,
jogado fora sem pena, sem pensar,
sem demonstrar qualquer respeito pelo meu coração,
meus atos buscam que verdade?
De facto, pareço estar a desejar uma catástrofe,
para que a sobrevivência torne-me mais clara.
Há falta de clareza, e de claridade
nessa personalidade limítrofe, esquizóide.

Há uma nostalgia da Felicidade que sou,
deslocando-se na velocidade de uma brisa,
de uma aura em movimento,
de tudo o que mora além do meu ego,
e que simplesmente existe, sem mapas.
Uma espécie de tesouro lendário...

"Nós nunca nos rendemos perante o que nos é sagrado. Recomeçamos." (Lars Gustafsson)

Monday, November 03, 2008

The tireless hope to live the good Life

Respiramos o que resta de respeito
como um homem no leito de morte,
lutando por um pouco de ar.
Lavamos as mãos de nossas religiões
num lago de arrependimento.

E bem longe desse lugar,
aonde não poderão chegar,
outros banham-se em pureza,
em todo o divino que correu por nossas águas,
por nosso sangue derramado.

Anos prolongados de amargura -
morte do pai, do filho, do espírito.
Há uma estrela traidora no céu de noites quentes
brilhando a vontade de lutar,
acima de ilhas de vazio e solidão...

Hoje eu não quero ser o que somos
vivendo nesse mundo de sonhos orgulhosos,
dentro dessa sombra atormentada
hei de destruir: este divino DNA.
Assim rejeitando a salvação...

A fim de preservá-los
encontraremos um caminho diferente,
pois nosso amor é somente uma palavra
num campo de vítimas caídas,
num cemitério de almas escravizadas.